Labirintos

(escrita assêmica)

Essa pesquisa surge em 2020 - a partir da série "Função Transcendente" - como uma busca por ultrapassar os limites das linguagens artísticas e aproximar a pintura da poesia. Para isso, Báw se debruça sobre os estudos dos movimentos literários concreto e neoconcreto, chegando ao estudo da poesia-práxis e do poema-processo, e finalmente na escrita assêmica, i.e. a escrita destituída de significado semântico, na qual a estética gráfica e o movimento do corpo ganham destaque na transmissão da mensagem, a qual não pode ser apreendida racionalmente. Aqui os pequenos traços que ocupam os quadros são compreendidos como signos de um universo sintático particular - como se constituíssem um alfabeto próprio - e de fato transmitem uma mensagem literária.

 

A nomeclatura "labirinto" sugere que é possível percorrer o quadro de uma ponta a outra através de um caminho interno, criado pelo que Derrida chamou de "espaços assêmicos", ou seja, os espaços em branco entre os signos linguísticos, necessários à compreensão gramatical. Não há, porém, um caminho certo, podendo cada observador-participante traçar o seu próprio caminho dentro da obra, corroborando a ideia que o Dias-Pino teve de "versões".

Sob um outro ponto de vista cada obra é também compreendida como um mundo em si mesma, e cada pequeno risco, denominado "labirintío" é um ser vivo, que exerce seu livre-arbítrio no tempo entre a sinapse que motiva o movimento do artista e a pincelada que crava no território o espaço ocupado. A dimensão de um pequeno labiríntio em relação à vida humana nos convida à reflexão a respeito da relatividade do tempo.

A obra a seguir, "Mundo Invisível" surgiu, dentro dessa pesquisa, a partir de uma performance atrelada a música homônima da artista pernambucana Flaira Ferro, na qual os artistas dialogam com aquilo que habita o universo para além do que a percepção humana é capaz de captar: